A TRAJETÓRIA DA PIZZA, DO FORNO À MESA, SUA SIMBOLOGIA E SIGNIFICADOS

Escritor por Bia Couto
14/12/2023

A correria do cotidiano nos impõe refeições com horários bem definidos, minutos contados para o retorno ao serviço, para o início da aula, para “não se perder tempo”…

Contudo, geralmente, no final de semana temos a pizza. Você já parou para pensar o que vem embutido ao efetuar o pedido de sua pizza?

A singularidade humana se inicia na opção de sua pizzaria favorita. A escolha pelo estabelecimento comercial necessita atender aos seus requisitos básicos: atendimento e cordialidade, sabor, qualidade, preço, tradição, localização, rapidez na entrega – se delivery ou se salão.

A escolha do sabor também faz parte do ritual (se é que podemos assim nos referir!). Serão respeitados os sabores já “catalogados” na preferência do grupo. Nossa mente armazena os sabores e sensações, buscando repetir a experiência, se positiva, e excluir, se nega- tiva. Opta-se, então, por manter os sabores preferidos. Quando uma nova sugestão surge, raramente se “arrisca”. Sim, arriscar é o termo! Quem nunca leu e releu o cardápio e acabou escolhendo a de sempre?

A espera da pizza… Se estamos em casa, preparamos rapidamente a mesa, pois a pizza pode chegar a qualquer momento!

Este sentimento de ansiedade, misturado, logicamente, com o de fome, faz parte do ritual de quase “humanizar” a pizza, já que esta passa a ser esperada como um convidado que irá sentar-se à nossa mesa. Aguarda-se ansiosamente a campainha tocar para anun- ciar tão importante chegada. Se estamos no restaurante, o mesmo acontece. O fato da mesa já estar posta não exime a ansiedade da espera. Porém, nos restaurantes, pelo fato de todos estarem à mesa, acontece o primeiro grande fenômeno da refeição: o de aproxi- mar a família e os amigos. Todos estão ali, mesmo que com seus celulares – apontados como um dos principais vilões das relações humanas do século XXI -, todos estão ali… E assim, cumpre-se a ideia cultural de que a comida reúne as pessoas.

Enfim, a pizza chega. E com ela, o anúncio olfativo de que deve estar deliciosa! Sim, comemos primeira- mente com os olhos os outros alimentos… a pizza é exceção… Já sabemos que deve estar maravilhosa apenas sentindo o cheiro da pizza quentinha, mesmo escondida pela embalagem. É o que acontece quando você entra com a embalagem da pizza em um elevador com outras pessoas. E a pizza desperta também o sentimento de alegria. Quer ver?

Como não sorrir quando o garçom se aproxima de nossa mesa com este tesouro nas mãos? E, com a pizza na mesa, ocorre a mais bela lição… a de repartir o alimento. Divide- se a pizza para todos. É assim que se come. Em um mundo de self service, o coletivo se sobrepõe, até porque não é possível todos pegarem a sua fatia ao mesmo tempo. E todos estão à mesa, já que o desejo de comer a pizza quentinha é quase unanimidade. Ao que vai servir, é preciso cuidado e zelo com cada fatia, pois ninguém quer que a mesma se desfaça. E assim, saboreia-se a delícia de estarmos à mesa com o grupo. É o momento de colocar a conversa em dia, de sorrir com os “causos”, de experimentar um pedaço da fatia do outro,
de esquecer os problemas e de ser feliz…

Escrito por:

Beatriz Couto de Carvalho Pinto

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